sexta-feira, 5 de abril de 2013

Born to run? Será que você nasceu para correr?


Para poucos, correr pode ser a coisa mais natural do mundo. A realidade mostra que os estilos (ou técnicas) de corrida variam de tal forma que é justo dizer que cada indivíduo irá desenvolver um estilo único – aliás, todos possuímos diferenças na composição corporal, no recrutamento muscular dos membros inferiores e no posicionamento dos pés quando pisamos no chão.

A indústria tem investido na tecnologia de calçados que promovam a correção de pisada (pronada ou supinada), entretanto um estudo publicado em 2009 no British Journal of Sports Medicine mostra que não há evidência para tal indicação.

Correr bem e se manter livre de lesão requer um acompanhamento especializado, foco no trabalho da técnica de correr e do controle postural, afirma Scott Smith, fisioterapeuta australiano especialista em lesões de corrida e golfe. Segundo ele, há 7 fatores-chave que favorecem o risco de lesão em corredores:

1-Ângulo Q aumentado – mulheres possuem a pelve mais larga que homens; dessa forma, possuem mais risco pois a linha de força que passa pelo fêmur é direcionada mais para a parte medial (interna), e isso promove uma descarga de peso assimétrica no membro inferior;

2-Problemas relacionados com a gestação – é comum mulheres sofrerem de lesões de ligamentos da região pélvica. Caso não tenham sido submetidas a um retreinamento muscular apropriado, suas pelves se apresentarão levemente instáveis, e consequentemente serão incapazes de suportar as grandes forças envolvidas durante a corrida;

3-Empregos sedentários – tais trabalhadores estão em risco a não ser que dediquem tempo suficiente para potencializar o treino de controle muscular lombo-pélvico e fortalecimento dos membros inferiores, como por exemplo, obter uma adequada amplitude de movimento ativa e passiva de extensão da articulação do quadril;

4-Posição da tuberosidade da tíbia – alguns indivíduos nascem com a tuberosidade da tíbia em uma angulação mais lateral e inferior abaixo da patela. Isso força a musculatura do quadríceps a puxar para uma angulação mais lateral, levando ao aparecimento de patologias patelofemorais;

5-Corredores que começaram tarde – começar a correr com idade avançada (e isso significa perto dos 30 anos) apresenta um risco de lesão mais elevado. Os padrões de ativação neuromuscular estabelecidos quando somos mais jovens permitem um controle do recrutamento muscular otimizado necessário para o corredor;

6-Lesões antigas – problemas antigos nos membros inferiores precisam estar reabilitados adequadamente (por exemplo, um entorse de tornozelo deve atingir uma completa dorsiflexão como antes;

7-Empregos pesados – aqueles que atuam em trabalhos que carregam muito peso podem estar sobrecarregados e sem tempo de descanso entre as sessões de corrida, o que é imprescindível para que haja recuperação dos tecidos.

Para Nicholas Romanov, cientista do esporte e idealizador da Pose Running, uma técnica de corrida apropriada deve fornecer percepção de leveza, exigir pouco suporte, não provocar tensão nos músculos e não sobrecarregar as articulações. Envolvido no mundo de atletas e corredores por mais de 30 anos, Nicholas acredita que o alongamento estático é provavelmente menos importante e menos efetivo em prevenir lesões e se recuperar delas do que um fortalecimento muscular adequado, resistência e controle muscular lombo-pélvico. Ele enfatiza que seu método de correr proporciona ao atleta um foco no trabalho do controle muscular e de posturas dinâmicas em posicionamentos específicos. "O controle muscular é a chave", afirma. (Arendse et al 2004)



Recentemente fui procurado por uma corredora jovem (que corre entre 5-10km, duas vezes por semana) com queixa de dor anterior do joelho e lombalgia não específica. A avaliação demonstrou que se tratava de uma caso de síndrome patelofemoral, acompanhado de um fraco controle lombo-pélvico com predominância de anteversão pélvica (encurtamento dos flexores do quadril. Uma alteração da amplitude de movimento da coluna lombar, particularmente com aumento da lordose fisiológica, tem sido associado como agravante na lombalgia (Delgado et al 2013).

Após 6 atendimentos com técnicas de fisioterapia manipulativa para o joelho, exercícios de Pilates com foco no retreinamento da musculatura lombo-pélvica, quadril e joelho (vasto medial e rotadores externos quadril) ela voltou a correr sem queixas, mantendo o resultado até hoje, aproximadamente 5 meses após a primeira intervenção.

Com isso, podemos concluir que o método Pilates pode promover melhora do controle lombo-pélvico necessário para atletas e entusiastas da corrida. Vale lembrar que uma avaliação individual é necessária e a partir dela é que os exercícios corretos deverão ser selecionados e aplicados.


Referências:

Andrew McMillan. Craig Payne. Effect of foot orthoses on lower extremity kinetics during running: a systematic literature review. Journal of Foot and Ankle Research 2008, 1:13.

Arendse, R.E., Noakes, T.D., Azevedo, L.B., Romanov, N., Schwellnus, M.P. and Fletcher, G.J. Reduced eccentric loading of the knee with the Pose running method. Medicine Science in Sport and Exercise 2004, 36, 272-277.

Delgado TL, Kubera-Shelton E, et al. (2012). Effects of Foot Strike on Low Back Posture, Shock Attenuation, and Comfort in Running. Med Sci Sports Exerc 45 (3): 490-6.

Kelly Dyke, Carina D. Lowry, Joshua A. Cleland. Management of Patients With Patellofemoral Pain Syndrome Using a Multimodal Approach: A Case Series. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, Vol 38 number 11 Nov 2008.

Mark Alexander, Scott Smith. Physiotherapist’s guide to running injuries. Sports Injury Bulletin, 2010.

Richard B. Souza, Christie E. Draper, Michael Fredericson, Christopher M. Powers.
Femur Rotation and Patellofemoral Joint Kinematics: A Weight-Bearing Magnetic Resonance Imaging Analysis.

Richards CE, Magin PJ, Callister R. Is your prescription of distance running shoes evidence-based? Br J Sports Med. 2009 Mar;43(3):159-62.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Subgrupos - Estudo preliminar na derivação de regras de predição clínica (RPCS) utilizando exercícios baseados no método Pilates

Embora os exercícios baseados no método Pilates tenham alcançado popularidade para o manejo conservativo (tratamento não cirúrgico) das lombalgias, a evidência científica para tal afirmação ainda é esparsa e inconclusiva. Lim e colaboradores realizaram uma revisão de meta análise em 2011 e concluíram que a baixa qualidade e a heterogeneidade dos estudos de Pilates revisados sugerem que os resultados sejam interpretados com cautela. Por outro lado, outros estudos que examinaram subgrupos homogêneos de pacientes com programas de exercícios específicos são promissores.
Regras de predição clínica consistem na combinação de variáveis de questionários científicos (como por exemplo os questionários Oswestry, FABQ, etc., que são preenchidos pelos próprios pacientes) bem como de dados coletados durante o exame histórico e clínico. Elas tem por objetivo classificar os pacientes em subgrupos para que estes recebam um tratamento específico. Recentemente, as RPCs têm se mostrado úteis na classificação de pacientes com lombalgia. O intuito é selecionar quais indivíduos são mais prováveis de se beneficiar com uma abordagem de tratamento específica. Por exemplo, um grupo pode ser submetido à manipulação, enquanto outro à estabilização lombar.
Uma vantagem das RPCs é que elas usam propriedades de diagnóstico de sensibilidade, especificidade e taxas de probabilidade, permitindo que suas variáveis sejam interpretadas e aplicadas aos pacientes. Contudo, devem ser analisadas posteriormente por meio de rigorosos padrões metodológicos no que concerne seu desenvolvimento e validação. Uma vez derivadas, validadas e demonstradas como capazes de impactar o comportamento clínico de forma positiva, estas podem ser úteis na seleção do tratamento mais efetivo. Um estudo preliminar prospectivo do tipo coorte foi realizado com 96 pacientes classificados com lombalgia crônica e publicado na JOSPT (Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy) em maio de 2012. Os pesquisadores observaram 5 preditores que podem serem usados com aqueles pacientes que provavelmente se beneficiarão com um tratamento por meio de exercícios baseados no método Pilates. Os preditores foram: 1) flexão total do tronco de 70° ou menos; 2) duração dos sintomas de 6 meses ou menos; 3) nenhum sintoma nos membros inferiores (dor que distaliza) nas semanas anteriores; 4) IMC (índice de massa corpórea) igual ou maior que 25 kg/m2 (o que indica sobrepeso) e 5) média de ADM de quadril (direito ou esquerdo) igual ou maior que 25°.
Caso 3 ou mais dos atributos mencionados acima estejam presentes (o que ocorreu em 42% dos sujeitos do estudo), a taxa de probabilidade positiva é de 10.64. Esse número indica um provável índice de sucesso do tratamento com exercícios baseados no método Pilates. Portanto, esses 5 fatores devem ser observados durante a avaliação clínica individual e considerados durante a prescrição de exercícios terapêuticos baseados no método Pilates para o tratamento de lombalgia crônica.Contudo, vale ressaltar que estes são resultados preliminaries e ainda devem ser validados por estudos randomizados controlados. Outro detalhe importante é que a amostra foi composta por 81.1% dos sujeitos do sexo feminino, e dessa forma tais preditores provavelmente serão mais aplicáveis às mulheres.
Referências: Lim EC, Poh RL, Low AY, Wong WP. Effects of Pilates-based exercises on pain and disability in ndividuals with persistent nonspecific low back pain: a systematic review with meta-analysis. J Orthop Sports Phys Ther. 2011;41:70-80. Lise R. Stolze, Stephen C. Allison, John D. Childs. Derivation of a Preliminary Clinical Prediction Rule for Identifying a Subgroup of Patients With Low Back Pain Likely to Benefit From Pilates-Based Exercise. J Orthop Sports Phys Ther 2012;42(5):425-436.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pilates Equino - método é adaptado para cuidar da saúde de equinos


Proprietários de cavalos têm agora a oportunidade de levar seus animais para participar de aulas de Pilates Equino. O intuito é melhorar a condição dos animais e promover reabilitação, em especial daqueles que participam de competições.

O método Pilates, que já alcançou repercussão global, é uma modalidade de exercício aplicado para melhora de condicionamento físico, postura, promovendo qualidade de vida. Também tem seu papel na prevenção e tratamento de patologias. entretanto adaptá-lo para cavalos é a nova proposta da fisioterapeuta veterinária Hannah Haskew, da Faculdade de Derby, no Reino Unido.
Segundo Hannah, quando fortalecemos os músculos do Core (conjunto de músculos que promovem estabilidade postural e uma base segura para a realização de movimentos), podemos atingir uma melhor performance com o cavalo e uma melhor flexibilidade, resultando em melhores resultados com os animais que competem em provas.


Em alguns exercícios, uma cenoura é segurada contra o peito do animal de modo a forçá-lo a inclinar sua cabeça para baixo, promovendo assim um alongamento da musculatura do pescoço.

A treinadora de cavalos Debra Olson Daniels, de Toutle (nos Estados Unidos) diz que o objetivo é mantê-los relaxados durante os vários tipos de treinamento. “A coluna de uma cavalo se curva quando montamos, e isso se deve ao fato do peso aplicado sobre suas costas. Assim sendo, se pretendemos montá-lo, devemos ensiná-lo o que não é natural, isto é, ensiná-lo a ativar sua musculatura abdominal para prevenir que suas costas se arquem demais, pois dessa forma estaremos ensinando uma maneira de prevenir problemas.

“Pode também ser útil na reabilitação dos animais com problemas nas costas e auxiliar na redução da incidência de problemas de coluna ”, acrescenta Hannah.



Sue Oliver, proprietária de uma poney chamada Fell comenta: “Espero promover mais alongamento para que Fell se dê bem nas competições”. Pat Boddy, proprietária de outro poney disse: “Poppy tem 18 anos agora e espero que o Pilates Equino possa torná-la mais ágil, alinhada e flexível como ela costuma ser quando era mais jovem”.

Referências:

http://www.bbc.co.uk/

http://www.equineclickermagic.com/videos.html

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tratamento para dor cervicobraquial neurogênica (dor na região cervical e braços de origem neural)

A dor na região cervical, a qual pode irradiar para os braços, podendo chegar até as mãos (dor irradiada) é muito frequente na população, sendo muitas vezes erroneamente diagnosticada como LER/DORT, tendinite, bursite, pinçamento subacromial (síndrome do impacto), túnel do carpo, síndrome do desfiladeiro torácico, etc. Esse conjunto de sintomas (conhecido como síndrome da dor cervico-braquial ou cervicobraquialgia neurogênica) merece atenção especial, pois comumente o profissional avalia apenas a parte muscular e articular, e se esquece da parte neural.


Para se evitar erros de diagnóstico, é essencial correlacionar todos os dados da avaliação (por meio de testes musculares, articulares e neurais) e aplicar o diagnóstico diferencial. Por exemplo, a síndrome do desfiladeiro torácico ocorre devido a uma compressão do feixe vascular (artérias e veias) e do feixe nervoso por conta de alterações posturais ou anatômicas, as quais alteram o triângulo formado pela primeira costela, clavícula e músculos escaleno e peitoral. Essa condição causa uma dor intermitente que está relacionada aos movimentos, principalmente aqueles realizados com os braços elevados. O padrão de dor é bem semelhante ao da síndrome cervicobraqual neurogênica.


Entretanto, o detalhe é que a síndrome do desfiladeiro torácico geralmente causa edema (inchaço) e alteração de cor dos membros superiores (braços), o que não ocorre em casos de dor cervicobraquial neurogênica, onde uma compressão ou sensibilização (inflamação) do tecido neural de origem na cervical pode acometer os nervos mediano, nervo radial e nervo ulnar.

O tratamento dura em média 2-3 meses, com resultados comprovados cientificamente. Um estudo realizado em 2002 que aplicou técnicas de terapia manipulativa, como a mobilização neural e exercícios específicos para casa, comprovou a eficácia do tratamento num período de 8 semanas, com melhora de dor e função. Outro estudo de 2003 observou que se a causa do problema é na região cervical, o tratamento realizado pela terapia manipulativa é preferido em relação à aplicação do ultra-som terapêutico.

Bibliografia:

G. T. Allison, B. M. Nagy, T. Hall. A randomized clinical trial of manual therapy for cervico-brachial pain syndrome – a pilot study. Manual Therapy (2002) 7(2), 95–10

Michel W. Coppieters, Karel H. Stappaerts, Leo L. Wouters, Koen Janssens. The Immediate Effects of a Cervical Lateral Glide Treatment Technique in Patients With Neurogenic Cervicobrachial Pain. J Orthop Sports Phys Ther 2003;33:369–378.

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?487

sábado, 27 de agosto de 2011

Pilates no combate ao stress

Mais e mais pessoas, estressadas por conta de suas atividades diárias, estão descobrindo que podem de fato mudar seu estilo de vida, ou podem pelo menos tentar mudá-lo. Muitas delas têm procurando aulas de Pilates com nunca antes, na busca de reduzir o stress, aliviar a tensão, ou seja, encontrar um relaxamento para a mente e corpo antes de voltarem ao trabalho.

Há menos de uma década atrás, as aulas de Pilates ainda eram consideradas uma atividade física alternativa e pouco acessível à maioria da população. A situação atual é bem diferente, pois a prática do método se tornou uma opção tão comum uma corrida no bairro ou musculação na academia.

“Nós somos uma sociedade que está envelhecendo e uma atividade física de baixo impacto é a melhor opção para o corpo”, relata o americano Mike May, representante da Associação Americana de Produtores de Artigos Esportivos. “Você não precisa ser um atleta profissional para praticá-lo, embora você definitivamente irá atingir uma melhor forma física logo ao terminar uma aula”.

Segundo a americana Elin Benson, proprietária do Studio Pilates Center de Westchester, em Nova York, não existe um tipo de cliente específico. 'Possuo uma variedade de alunos variando de 20 aos 70 anos, bem como uma real mistura de vários níveis de condicionamento físico. “Muitos adeptos do método nunca haviam se exercitado antes, nem competiram em algum esporte, e se sentiram intimidados ao encararem uma academia”.

Joseph Hubertus Pilates, criador do método, declarou em 1965, aos 86 anos de idade:

“I must be right. Never an aspirin. Never injured a day in my life. The whole country, the whole world should be doing my exercises. They’d be happier”

“Eu devo estar certo. Nunca tomei uma aspirina, nenhuma lesão em minha vida. Todo o país, o mundo todo deveria estar praticando meus exercícios. Eles se sentiriam melhores por isso”

As palavras do visionário criador do método têm se tornado realidade como alternativa de combate ao stress que acomete nossa sociedade. Uma pesquisa comprova o aumento da busca pela melhora na qualidade de vida evidenciando que o número de praticantes de Pilates atingiu 10,4 milhões no ano passado nos Estados Unidos, comparado a 1.7 milhões no ano 2000, superando a procura por yoga, tai chi e artes marciais.

Siri Dharma Galliano, renomada instrutora de Pilates na América do Norte e Europa há mais de 20 anos, diz que se realizado corretamente e com adequada supervisão, os benefícios vão muito além das aulas supervisionadas:

"É uma reeducação na questão de consciência corporal. Ele muda sua forma educando você no dia a dia. Quando cozinhando, escovando os dentes, etc. o que foi praticado na aula é automaticamente transferido para seu lar. Ele ensina você a treinar sua mente, construindo simetria e coordenação corporal. E o melhor é quando você adquire domínio e controle sobre essas pequenas coisas.”




Combata o stress com Pilates!




Fonte:

The New York Times - www.nytimes.com
MedicineNet - www.medicinenet.com

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O que é Fisioterapia Manipulativa?

A terapia manual ou manipulativa é uma das especialidades da Fisioterapia utilizada pelo fisioterapeuta na promoção de saúde, com foco na prevenção e no tratamento de disfunções neuromusculoesqueléticas (problemas nos nervos, músculos e articulações).

Fisioterapeutas que trabalham nessa área possuem habilidade de avaliação, diagnóstico e tratamento para tais condições. O dicionário médico Oxford define a terapia manipulativa como “o uso das mãos para produzir um movimento desejado ou um efeito terapêutico em uma parte do corpo, com o intuito de restaurar o normal funcionamento de articulações rígidas”. Assim sendo, o fisioterapeuta manipulativo faz uso apenas das mãos para aplicar técnicas de mobilização e manipulação de tecidos moles e articulações.

O que significa mobilização e manipulação?

A mobilização articular consiste na movimentação manual da articulação, dentro de uma amplitude de movimento específica, sendo comumente aplicada para tirar a dor. A mobilização de tecidos moles inclui o manejo de músculos, fáscia e cápsula articular, por meio de técnicas como massagem terapêutica, liberação miofascial, terapia trigger points (pontos gatilho), alongamento, etc. A mobilização do tecido neural (mobilização neural) trata os problemas de compressão e inflamação dos nervos. Por sua vez, a “manipulação articular” é um movimento rápido e de pequena amplitude o qual produz um click ou estalido, com indicação de restaurar quantidade de movimento normal de uma articulação rígida.


A mobilização/manipulação constitui um tratamento efetivo?

Havendo indicação da aplicação da técnica, e se realizada corretamente por um profissional experiente, podem ser bem efetiva. Umas das grandes vantagens do fisioterapeuta é que ele, além de tratar a dor, também dispõe de uma vasta gama de outras modalidades (por exemplo, exercícios terapêuticos) para manter e potencializar os efeitos da mobilização/manipulação. Dessa forma, para obter um melhor resultado, o indivíduo provavelmente deverá dar início a um programa de exercícios terapêuticos e reeducação postural para prevenir a recorrência da lesão e o aparecimento de outras.

Perigos

Ambas a mobilização e manipulação articular possuem indicações específicas de aplicação, e se aplicadas incorretamente, podem causar danos. Jamais devem ser realizadas por alguém que não possua formação profissional para tal. O fisioterapeuta manipulativo está ciente das indicações e contra-indicações das técnicas. Por exemplo, em uma situação em que um nervo está inflamado, o alongamento do músculo é contra-indicado, e com isso a dor nunca melhora. Não é raro ouvir pessoas dizerem não ter obtido êxito no tratamento com a Fisioterapia convencional. A chave do sucesso do tratamento é uma avaliação cuidadosa, para que a terapia não se transforme num problema crônico e sem resolução.

As respostas são para quais tipos de condições?

Tanto para casos agudos ou crônicos. O efeito analgésico (diminuição da dor) da mobilização articular já é visto no primeiro atendimento. Se o problema é devido ao fato do movimento normal da articulação estar restrito, isso pode levar à dor ou compressão de tecidos adjacentes e nervos. Uma vez reduzida a restrição, o movimento livre de dor e a função são restaurados. O fisioterapeuta manipulativo lida com todas as articulações do corpo.


Existe comprovação científica da aplicação de tais técnicas?

Existe hoje vasta evidência científica que comprova a eficácia da terapia manipulativa em várias disfunções, como por exemplo na lombalgia (Licciardone et al. 2003; Childs et al. 2004), síndrome do túnel do carpo (Rozmaryn et al. 1998; Akalinn et al. 2002), osteoartrite dos joelhos (Deyle et al. 2000) e do quadril (MacDonald et al. 2006), etc. Ambas as técnicas só devem ser aplicadas após uma criteriosa avaliação, realizada por meio de testes e protocolos científicos.
A Austrália é atualmente a referência mundial em pesquisa e cursos de pós-graduação em terapia manipulativa. Geoffrey D. Maitland, Brian Mulligan e Freddy Kaltenborn são fisioterapeutas renomados internacionalmente e reconhecidos como pioneiros da terapia manipulativa.

Onde posso encontrar um fisioterapeuta manipulativo?

Rodrigo Bernardes é fisioterapeuta (CREFITO 3/135682-F), especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica Funcional pela UNICAMP, e trabalha em atendimento particular com prevenção e tratamento de dor neuromusculoesquelética (lombalgia, hérnia de disco, artrite, artrose, tendinite, torcicolo, escoliose, dor na coluna, pescoço, ombro, joelho, quadril, tornozelo, etc). Possui formação internacional no conceito Maitland (mobilização/manipulação articular),Mobilização Neural (tratamento de compressão e inflamação de nervos), Movimento Articular Funcional, Movimento Combinado e Reeducação Postural Dinâmica (RPG Australiano) pelo Instituto Manual Concepts da Austrália, um dos institutos de terapia manipulativa mais respeitados internacionalmente. Também possui formação internacional em Pilates Clínico Funcional pelo Instituto Australiano de Fisioterapia e Pilates de Londres (APPI).


Contato: ftrodrigobernardes@gmail.com

Bibliografia:

Gwendolen Jull. Use of high and low velocity cervical manipulative therapy procedures by Australian manipulative physiotherapists. Australian Journal of Physiotherapy 2002 Vol. 48

International Maitland Teachers Association (http://www.imta.ch/)

New Zealand Manipulative Physiotherapists ASSOCIATION INC. (http://www.nzmpa.org.nz/)

The mechanisms of manual therapy in the treatment of musculoskeletal pain: A comprehensive model. Joel E. Bialosky, Mark D. Bishop, Don D. Price, Michael E. Robinson, Steven Z. George. Manual Therapy Vol 14, issue 5. October 2009, 531-538.

T. M. Hall, R. L. Elvey. Nerve trunk pain: physical diagnosis and treatment. Manual Therapy Vol 4, Issue 2, May 1999, Pages 63-73.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mais lesões do que músculos


Olá a todos,


Há algumas semanas atrás li num jornal um pequeno artigo, entretanto, de suma importância.

Uma pesquisa realizada pela Secretaria da Saúde de São Paulo em 2010, observou que 90% das pessoas não passam por uma avaliação antes de iniciar uma atividade física. O estudo investigou 700 pacientes do ambulatório médico esportivo do Hospital Estadual Ipiranga.

Antes de iniciar um programa de exercícios, é essencial fazer uma avaliação para prevenir e evitar lesões.

Segundo o médico do esporte e diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício do Esporte, Ricardo Munir Nahas, a avaliação é fundamental para a prescrição do exercício, pois servirá de base para definir a intensidade do programa. "Uma pessoa acima do peso, por exemplo, não deve sobrecarregar suas articulações. O ideal é procurar um profissional especializado o qual indicará a prática de uma atividade de baixo impacto,” explica Nahas.

Tenho recebido alguns clientes que tiveram lesões durante a prática do Pilates, e vieram me procurar para tratamento.

Como sempre mencionei nos cursos que ministrei, antes de tudo, o instrutor(a) de Pilates (seja ele educador físico ou fisioterapeuta) é um PROMOTOR(a) DE SAÚDE. Portanto, é ESSENCIAL que cada pessoa que deseja iniciar a prática do método passe por uma avaliação criteriosa com um profissional capacitado.

Uma cliente me procurou com tendinopatia do tendão de Aquiles. Após 3 ou 4 atendimentos, e com base no questionamento da avaliaçao, concluiu ela que sua lesão havia ocorrido no studio de Pilates que costumava frequentar. Fiquei surpreso quando acrescentou "pelo atendimento que você oferece aqui, vejo que o instrutor não tinha uma formação de Pilates. Eu ficava 40 minutos no chão só respirando, e depois eu fazia 1 ou 2 exercícios."

Questionei se ela fazia algum exercício com dor. Sim, disse ela. "O professor dizia que eu era forte, e que poderia continuar." Segundo a Cinesiologia (ciência que estuda o movimento), nenhum exercício deve ser realizado com dor, a não ser, a sensação de alongamento que, para alguns, produz uma sensação desagradável ou dolorosa. Outras pessoas gostam da sensação do relaxamento de músculos e fáscia muscular.

Para finalizar, gostaria de orientar a você, adepto do método (com objetivo clínico, funcional ou estético) que consulte a formação do seu instrutor(a) e analise se há uma avaliação física criteriosa, bem como um acompanhamento dos exercícios que você realiza a cada aula.


Atenciosamente,


ft. Rodrigo Bernardes


Fonte: Site da Secretaria da Saúde de São Paulo
http://www.saude.sp.gov.br/content/tremupretr.mmp